As lições de vida da vovó Nicinha
Quanto mais o tempo passa, mais nos damos conta do quanto as nossas mães e avós estavam certas a respeito de muitas coisas. Pena que, na juventude, quando nos achamos donos da verdade, calcados em uma convicção vazia, torcemos o nariz para os conselhos delas. Mas o tempo nos revela grandes verdades, e, mais tarde, já moídos pela dura realidade, bate a saudade daqueles momentos preciosos em que estas mulheres, cheias de amor, tentavam nos ensinar algo.
Quem dera todas as avós fizessem como Eunice Coelho da Silva, que, aos 82 anos, registrou algumas das lições que a vida lhe ensinou no livro “Histórias da Vovó Nicinha – Tesouros de uma vida”.
Os autores Carlos Fernandes e Marcelo Santos se encarregaram de passar para o papel as experiências desta mulher virtuosa, sábia, “que edifica o seu lar”, como descreve a Bíblia. Lançado pela IVC Comunicação, a obra tem jeito de livro infanto-juvenil, com lindas ilustrações e 12 histórias fáceis de ler.
Evangélica desde jovenzinha, vovó Nicinha viveu tempos difíceis, passou apertos financeiros, morou na periferia de São Paulo, e foi muito feliz. Como? Ela fala sobre esse feito de uma forma simples, despretensiosa, com a delicadeza das avós e a sabedoria de uma mulher vivida e temente a Deus. Mãe de seis filhos, avó de dez netos e bisavó de três bisnetos, ela formou a sua família ao lado do pastor José Rodrigues, fundador e presidente da Igreja Vivendo em Cristo (IVC), em Valinhos (SP). Convertida desde os 16 anos de idade, aceitou Jesus após a ministração do pastor Jaime Pagliarin, em Limeira, interior de São Paulo, onde cresceu. Foi durante um dos cultos da Cruzada Nacional de Evangelização - que mais tarde seria a Igreja Quadrangular. Naquele tempo as Cruzadas ocorriam em lonas de circo.
A cada história, vovó Nicinha fala de sua fé, de como aprendeu a amar a Deus, dividir o pão e faz algumas reflexões bíblicas interessantes. Exemplo: “Em dias de super-homens da fé, de pessoas que se dizem quase infalíveis, faz bem lembrar que o maior poeta bíblico foi um homem segundo o coração de Deus, porque teve coragem de admitir-se frágil”, diz referindo-se ao rei Davi, quando reconheceu o seu pecado diante de Senhor. Aliás, Davi é o nome de um de seus filhos – todos têm nomes bíblicos. Ester, a única mulher, é diretora executiva da IVC Comunicação, e quem incentivou a produção da obra.
Os tempos de dificuldades ficaram para trás, mas vovó Nicinha lembra deles com nostalgia, porque, ao contrário da atual geração consumista, em busca de efêmeros prazeres em roupas, celulares de alta tecnologia e carros, ela sempre teve o coração cheio de gratidão ao Senhor, em qualquer circunstância. Daí ser feliz não foi tão difícil, até mesmo quando a família se apertava no Fusca bege para os seus passeios de rotina. “O consumismo é um dragão que engole a gente. Não adianta comprar tudo, pois nada pode preencher no coração humano o espaço que é de Deus”, ensina.


